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segunda-feira, 18 de maio de 2015

Tudo a V - Serial killers

Acompanhem na íntegra esse quadro da Rádio Bandeirantes do dia 15 de maio de 2015. Valério Luiz Filho abordou questões polêmicas, fez esclarecimentos e ainda falou sobre o primeiro caso de serial killers, que se tem conhecimento, no Brasil.


Ilana Casoy esclarece duvidas na relação de psicopatia e serial killers


No programa Cartão de Visita, Record News, exibido neste sábado, Débora Santilli entrevistou Ilana Casoy, Autora de diversos best sellers. Ilana  se dedica a estudar a mente de serial killers. No programa, a especialista esclarece que assassino em série e psicopata não são a mesma coisa. 

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sexta-feira, 15 de maio de 2015

Preso Serial Killer de 19 anos

A Polícia Civil de Porto Feliz esclareceu que os quatro homicídios ocorridos neste ano entre fevereiro e abril, sendo três na própria cidade e outro no município vizinho de Rafard, ocorreram a mando de uma facção criminosa, e que o executor é um rapaz de apenas 19 anos de idade, classificado pelas autoridades policiais como "serial killer" (assassino em série). O acusado direto pelas mortes, Mateus Boaventura, vulgo Pedrinho, foi detido no mês passado durante a operação Sorocaba 3, e está apreendido na Fundação Casa por uma tentativa de homicídio praticada quando ainda era menor, devendo ser removido para o sistema penitenciário pelos quatro crimes deste ano, praticados já na sua maioridade. 

O mandante, Douglas de Carvalho, 26 anos, vulgo Vico, do setor de Disciplina na organização criminosa, já teve a prisão preventiva solicitada, mas permanece foragido. O esclarecimento das mortes foi passado para a imprensa pelo delegado André Bonan, de Porto Feliz, durante coletiva realizada na Delegacia Seccional de Sorocaba.

De acordo com as investigações concluídas por meio de cruzamento de informações, testemunhas protegidas, e também pelo levantamento das relações entre acusados e vítimas, os crimes aconteceram basicamente em decorrência de descumprimentos do estatuto da facção. O delegado André Bonan destacou ainda que tanto mandante como o executor já eram conhecidos nos meios policiais da cidade, sendo que David Douglas, além de exercer a função de determinar as penas aos que infrigem os regimentos da facção, possui antecedentes por tráfico e associação para o tráfico. Mateus, apesar da pouca idade, já teve duas passagens pela Fundação Casa durante a adolescência, sendo ainda "respeitado e influente por traficantes e ladrões".

A classificação de "serial killer" foi dada devido ao fato da maneira uniforme com que Mateus Boaventura agiu em todos esses casos, sendo que todas as vítimas foram executadas com vários tiros, e todas foram atraídas pelo autor para passeios, como por exemplo churrascadas. No retorno, ele as surpreendia. 

A arma, possivelmente calibre 38, porém não foi localizada, e a polícia não descarta a possibilidade de que o mandante a fornecia para cada crime. A denominação de assassino em série também foi dada pelo curto espaço de tempo em que os homicídios ocorreram, entre 4 de fevereiro e 22 de abril, podendo assim considerar que no prazo de 77 dias ocorreu um assassinado a cada 20 dias aproximadamente.

O delegado André Bonan explicou que Mateus já foi indiciado pelos quatro assassinatos realizados já na maioridade, e que tão logo sejam decretadas as prisões temporárias (pedidas individualmente para cada um dos crimes), ele deverá ser transferido para o sistema penitenciário.

Sobre esse aspecto, o delegado seccional Marcelo Carriel, comentou que se não fosse isso, Mateus, considerado de alta periculosidade, deixaria a Fundação Casa em no máximo três anos. Mas que agora, com os processos já em sua conduta adulta, deverá amargar um bom tempo na cadeia, considerando que os crimes, cujas penas variam de 12 a 30 anos, serão julgados individualmente. 

Carriel aproveitou para defender a redução da maioridade penal ou a extensão da internação pela Fundação Casa por até oito ou dez anos.Mas para configurar a periculosidade do executor, o delegado André Bonan informou que ele ainda responde pela morte de Willian Douglas Alves, em 29 de dezembro de 2012, quando ainda tinha 16 anos. Esse crime também foi a mando de David Douglas, pelo fato de que a vítima teria se engraçado com sua esposa.

Outro crime atribuído a Mateus é uma tentativa de resgate de um adolescente em trânsito com viatura da Fundação Casa, em 31 de março deste ano, ocasião em que chegou a atirar num funcionário da instituição. O adolescente que ele desejava resgatar está apreendido por tentativa de homicídio contra um jovem que saiu com sua namorada. 

Esse mesmo adolescente, em 2013, havia participado com Mateus de um roubo a lotérica em Porto Feliz. Agora, ambos são investigados pela morte de Cláucio Aparecido Gonçalves Trajano, ocorrido em 11 de março deste ano.

Motivação e vítimas

A primeira vítima foi Natanael Bonato, em 4 de fevereiro, e a causa foi o fato de ele ter deixado a facção e mesmo assim continuar praticando delitos. Em 8 de março, Elaine Cristina Leardini, foi morta por ser considerada "cagueta", ou seja, quem fala demais. Diego Constantino morreu oito dias depois, por ser visto como "talarico", o que na gíria significa querer conquistar esposas e namoradas de outros homens. Ele também era acusado de ostentação e por não pagar suas dívidas. 

A quarta vítima, José Apsrecido Ribeiro, foi assassinado em 22 de abril por ser tido como "criminoso" pelo fato de que, num assalto à residência, teria estuprado uma mulher. E embora todas as vítimas sejam naturais de Porto Feliz, apenas esse caso aconteceu em Rafard.

Agora, com a prisão do executor, o delegado de Porto Feliz acredita que o índice de homicídios deverá baixar, pois esses quatro são os que foram registrados desde o início do ano.

Estudo nos EUA revela perfil surpreendente de mulheres serial killers

Quando se fala em assassinos em série a imagem mais comum costuma ser a de criminosos do sexo masculino. Mas um novo estudo realizado nos Estados Unidos desfaz essa impressão ao mergulhar no pouco explorado universo das mulheres serial killers.
Liderado pela doutora em psicologia evolutiva Marissa Harrison, professora da Universidade Penn State Harrisburg, na Pensilvânia, o estudo analisa 64 assassinas em série que atuaram nos Estados Unidos entre 1821 e 2008 e revela um perfil surpreendente. Em sua maioria, são mulheres de classe média, com idades entre 20 e 30 anos, inteligentes, casadas e cristãs. Um perfil tão comum que poderia descrever boa parte da população feminina do país.
Muitas trabalhavam como professoras, babás, enfermeiras ou donas de casa – profissões que permitem fácil acesso a vítimas vulneráveis. Mas se a imagem de "sujeito comum" também pode ser atribuída a serial killers do sexo masculino, uma análise das motivações, métodos e características das vítimas revela grandes diferenças entre os assassinatos em série praticados por homens e por mulheres.
"Pesquisas anteriores indicam que assassinos em série costumam matar por sexo. Nós descobrimos que as serial killers mulheres matam por dinheiro ou poder", disse Harrison à BBC Brasil.
"Do ponto de vista evolutivo, isso não me surpreende, faz sentido que os homens busquem sexo e as mulheres busquem recursos", observa.

Envenenamento

O método escolhido também revela diferenças entre os sexos. Se entre os homens muitos crimes costumam envolver estrangulamento, armas de fogo ou ferimentos com faca, entre as mulheres os métodos mais usado são envenenamento e asfixia. "Há teorias que dizem que elas escolhem esses métodos por serem parecidos com a morte natural e tornar mais difícil que seus crimes sejam descobertos", diz Harrison.
"São métodos menos brutais que outros. Só depois que a terceira ou quarta vítima morre em circunstâncias suspeitas é que começam a despertar desconfiança", observa. Outra diferença é em relação às vítimas. Enquanto os serial killers do sexo masculino não conhecem suas vítimas na maior parte dos casos, as mulheres analisadas no estudo conheciam todas ou a maioria das vítimas, muitas delas membros da família, crianças, idosos ou doentes.
"As pessoas próximas das mulheres serial killers correm risco, especialmente aquelas que são mais vulneráveis", ressalta Harrison.

Relatos

Para chegar à versão final do estudo, que foi divulgado pela publicação científica The Journal of Forensic Psychiatry and Psychology, a equipe liderada por Harrison se debruçou durante um ano sobre relatos de crimes publicados na imprensa desde o século 19. Para se encaixar na definição de serial killer, as mulheres tinham de ter cometido três ou mais assassinatos com um intervalos de pelo menos uma semana entre cada morte. Conseguiram chegar a 64 nomes, o que Harrison considera uma boa amostra, já que não há muitas pesquisas sobre o tema nos Estados Unidos, apesar de estimativas indicarem que um em cada seis serial killers no país é mulher.
"Antes desse estudo, eu sabia o nome de vários assassinos em série, mas não de mulheres serial killers. Eu só conseguia lembrar de Aileen Wuornos", diz Harrison. Wuornos, que dizia "odiar seres humanos", matou pelo menos sete homens entre 1989 e 1990 é muitas vezes citada como a primeira mulher serial killer dos EUA. Ao contrário do perfil mais comum das assassinas em série, ela não conhecia suas vítimas, que foram mortas a tiros. Sua história gerou livros e filmes, entre eles Monster – Desejo Assassino, estrelado por Charlize Theron.

Casos famosos

Mas a pesquisa de Harrison revelou várias outras mulheres serial killers que vieram antes de Wuornos. Talvez a primeira de quem se tem relatos tenha sido Martha "Patty" Cannon, que atuou nos anos 1820.
Cannon sequestrava negros livres para vendê-los como escravos e matou pelo menos quatro pessoas – acredita-se que o número total de vítimas seja maior, mas não há comprovação. "Ela matou homens, mulheres e crianças. Por espancamento, a tiros e até incendiados", relata Harrison. Bella Gunness matou seus namorados, maridos e filhos entre 1880 e 1910. Estima-se que o número de vítimas possa passar de 40, a maioria morta por envenenamento. Dorothea Puente, descrita como uma senhora de ar simpático que administrava um lar para idosos e deficientes mentais, matou pelo menos sete deles nos anos 1980. Ela envenenava suas vítimas para embolsar o dinheiro dos benefícios sociais que recebiam. Kristen Gilbert era enfermeira em um hospital de veteranos militares e matou pelo menos quatro pacientes por envenenamento nos anos 1990.

Doença mental

Segundo Harrison, cerca de 40% das serial killers analisadas sofriam de algum tipo de doença mental. Ela também ressalta que muitas eram atraentes "acima da média". Essa última característica é citada por Harrison como uma das possíveis explicações para o fato de que as mulheres serial killers levam em média oito anos até serem descobertas, o dobro da média registrada entre assassinos em série do sexo masculino.
"Alguns pesquisadores observam que homens tendem a se vangloriar de seus crimes, ao contrário das mulheres, o que pode ser uma explicação. Mas acho que o fato de serem atraentes também tem um papel, as pessoas tendem inicialmente a pensar coisas boas de quem é bonito", diz Harrison. Outro fator, segundo a pesquisadora, é a dificuldade de acreditar que mulheres possam cometer atrocidades. "Talvez simplesmente ainda não estejamos prontos para aceitar que mulheres seja capazes de cometer crimes tão hediondos", diz.

quinta-feira, 14 de maio de 2015

Tiago Henrique irá a juri popular pela morte de Isadora

O juiz Jesseir Coelho de Alcântara, da 1ª Vara Criminal de Goiânia, mandou a júri popular o vigilante Tiago Henrique Gomes da Rocha pelo homicídio de Isadora Aparecida Cândida dos Reis. Tramitam nas Varas dos Crimes Dolosos contra a Vida de Goiânia 26 processos contra Tiago Henrique – 8 já tiveram decisão de pronúncia (quando o réu é mandado a julgamento pelo júri popular).

A vítima foi assassinada no dia 1º de junho de 2014, por volta das 17h30, na Avenida São Geraldo, no Setor São José, em Goiânia. Ela tinha 15 anos de idade e caminhava ao lado do namorado, Cleyton César Pimenta Júnior, quando foi abordada por um homem em uma moto preta, que desceu do veículo usando capacete e anunciou um assalto. Isadora dos Reis foi entregar o aparelho celular, mas acabou agarrada pelo braço e virada de costas, levando um tiro de revólver calibre 38. Ela morreu no local do crime.


Tiago Henrique foi preso no dia 15 de outubro de 2014. Ele foi denunciado pelo Ministério Público do Estado de Goiás (MPGO) no dia 3 de fevereiro deste ano, por homicídio simples, com as qualificadoras de motivo torpe e utilização de recurso que impossibilitou a defesa da vítima. O MPGO pediu ainda a decretação da prisão cautelar do vigilante, que foi decretada. Nas alegações finais, afirmou também que restou comprovada a materialidade do delito e que não havia dúvida quanto à autoria, além de comprovadas as qualificadoras.


A defesa de Tiago Henrique apresentou resposta à acusação no dia 23 de fevereiro de 2015 e requereu a instauração de incidente de insanidade mental e a improcedência da denúncia, com a absolvição do réu. Já nas alegações finais, requereu que fosse reconhecida a semi-imputabilidade do vigilante com base no laudo psiquiátrico e absolvição, com a substituição da pena por medida de segurança, bem como a retirada da qualificadora de motivo torpe.

Ao proferir a decisão, Jesseir de Alcântara entendeu não ser necessária a instauração de novo incidente de insanidade mental, pois o mesmo já havia sido realizado em outros processos. Explicou que os laudos apontam que Tiago Henrique não possui doença mental, nem desenvolvimento mental retardado ou incompleto. “É portador de Transtorno de Personalidade Antissocial, vulgarmente conhecida por psicopatia. Na época dos fatos era inteiramente capaz de enter o caráter ilícito de sua conduta, bem como de determinar-se por este entendimento.”

O magistrado reconheceu as duas qualificadoras – motivo torpe e recurso que impossibilitou a defesa da vítima. Afirmou que na decisão de pronúncia não é necessário que exista a certeza sobre autoria ou participação, “exigida somente para a condenação”. Lembrou que ficou verificado, por meio das provas presentes nos autos que “a materialidade se encontra demonstrada e que existem indícios de autoria que recaem sobre o denunciado”.


Jesseir de Alcântara afirmou ainda que em 2014 a sociedade goiana “se viu assombrada por uma série de homicídios praticados, a princípio, sem motivação e de autoria desconhecida, sabendo-se apenas que o autor dos crimes tratava-se de um motoqueiro que agia de forma cautelosa, atingindo as suas vítimas com disparos certeiros, evadindo sem deixar rastros de sua ação”. Disse ainda que várias famílias foram desoladas, “tendo arrancadas do seu convívio familiares, sem qualquer explicação”.


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Porque serial killers chamam tanto a nossa atenção?

"Se nos fascinamos pelos Serial Killers é justamente porque sabemos que a nossa diferença (em relação a eles) é muito pequena.” Jorge Forbes
Médico psiquiatra por formação, Jorge Forbes é atualmente um dos principais nomes da psicanálise no País. Na entrevista abaixo, concedida ao Jornal O Popular, ele comenta o caso do vigilante Tiago Henrique Gomes da Rocha, de 27 anos. Tiago se denominou de assassino em série - ou serial killer - e chegou a confessar 39 mortes à polícia. Depois negou. Na Justiça, já foi condenado por assaltos e responde a dezenas de processos por homicídios. Jorge Forbes acaba de lançar a segunda edição do livro Da Palavra ao Gesto do Analista. De 4 a 6 de setembro, ele participa do 7º Encontro Americano de Psicanálise de Orientação Lacaniana (Enapol), em São Paulo.

Tiago Henrique Gomes das Rocha pode ser considerado serial killer?
Dentro da classificação dos assassinos, ele preenche vários aspectos de um serial killer. O primeiro aspecto é não ter relação nenhuma com as vítimas. Não existe uma causalidade explícita (para os assassinatos), seja sexual, seja vingança, seja dinheiro... De repente, sem nenhum comportamento prévio que indique o que vai fazer, ele mata uma pessoa. É importante ter essa noção a respeito do serial killer porque não se busca esse criminoso pela causalidade, mas pelo padrão de comportamento. Ele mata de uma determinada maneira, apresenta um padrão de local, de tipo de assassinato, de tipo de vítima... O serial killer é alguém que mata ao menos três pessoas em locais diferentes e tempo superior a um mês; se o intervalo de tempo for menor, não se caracteriza um serial killer; e acho que, sim, ele (Tiago) corresponde a isso. Um serial killer pode ser tanto um psicótico quanto um psicopata. O psicótico normalmente é considerado inimputável (isento de pena porque é incapaz de entender a ilegalidade do que fez e responder por isso). O psicopata é imputável.
Se for solto, ele vai voltar a matar?

Temos indícios de que um serial killer sempre poderá voltar a matar. Por outro lado, quantas pessoas estão nas prisões e voltam ao crime após sair? O índice de reincidência é altíssimo. Posso garantir, como psicanalista e psiquiatra, que ele não vai voltar a cometer crimes? Não, não posso. Então vamos dar prisão perpétua às pessoas para nos proteger da maldade humana? Também não. Não existe uma resposta padrão. São vários fatores em jogo: comportamento, relação com as pessoas e consigo mesmo, argumentação, conhecimento do passado, afetividade, criação de vínculos de amizade e amor... Quando juntamos esses e outros índices, podemos ver como uma pessoa se dá com seus desejos e afetos e responder que tem pouca chance ou grande chance de voltar a cometer crimes. Mas não é possível responder que não há nenhuma chance.
Tiago Henrique escreveu ao menos uma carta desafiando a polícia. Ao ser preso, confessou mais mortes do que assume hoje. Ele fez isso por vaidade?
A coisa que mais preocupa qualquer ser humano é a morte. A própria morte e a morte dos entes queridos. Essas pessoas, os psicopatas, elas se assenhoram do poder da vida e da morte. E ao invés de fazerem como a maioria das pessoas, que se angustia e negocia alguma maneira de viver apesar da morte, elas afrontam, se põem acima do sentimento da angústia mortal e se fazem de senhores e mestres dos destinos de si mesmos e dos outros. Ora, quem é que representa o limite do que se pode fazer? Na sociedade civil, é a polícia. Não é incomum, portanto, que essas pessoas desafiem os representantes legais. Elas têm um prazer especial nesse desafio para mostrar que estão acima da angústia mortal. Para Tiago Henrique, o benefício foi ser preso: a polícia atestou que ele era o senhor do destino de muita gente.
Filmes e reportagens sobre serial killers chamam atenção. Por quê?
Se nos fascinamos pelos serial killers é justamente porque sabemos que a nossa diferença é muito pequena. Todos nós já quisemos matar o cara que nos fechou no trânsito. Não há uma criança que nunca quis matar o pai ou a mãe. Vemos o quanto somos parecidos com o Tiago e, ao mesmo tempo, podemos dizer que foi ele e não nós. Conseguimos recalcar, reprimir em nós, a tendência assassina que temos.
Não é incomum que assassinos famosos sejam “tietados”. Essas fãs estão encantadas pelo homem, pelo assassino ou pela figura midiática?
Na histeria feminina, um quadro psicopatológico, a histérica sabe como o homem deveria ser. De repente, ela vê um rapaz bonito e acha que ele está perdido na vida, que sabe curar o coração do criminoso e que ele só é criminoso porque não foi compreendido. É muito arriscado isso, porque ela pode se transformar na próxima vítima.
A imagem de Tiago Henrique é mais uma num mundo já repleto de imagens - tema do Enapol que será realizado este ano. Como lidar com o chamado “imperio das imagens”?
O Enapol é uma reunião das instituições ligadas ao campo freudiano das três Américas. Elas vão discutir a mudança no laço social - a maneira como nós nos agregamos. Até recentemente, vivíamos no império do simbólico, uma época iluminista, em que nos agregávamos a partir do saber. Fomos ultrapassados pelas imagens. As imagens geram um sentido no curto-circuito da compreensão. O mundo hoje é uma tela. Tela do telefone, do computador, da TV, do cinema... Saímos do império do simbólico e entramos no império das imagens. E o império das imagens não tem a coesão que tinha antes. Não tendo coesão, ficamos aflitos com o desbussolamento. O simbólico não amarra mais as pessoas. E o que amarra? Existe uma nova transcendência? A minha resposta é que, sim, existe. Não vamos caminhar para uma balbúrdia total. Se eu não tenho mais um grande organizador simbólico, eu tenho um outro organizador, que é uma sensação que as pessoas demonstram de que não podem fazer tudo. As pessoas não suportam ver agressões a pessoas que lhes são próximas e queridas. Não morrem mais por grandes causas, mas morrem por amores mais próximos. Existe um novo amor, que aparece como novo organizador da sociedade das imagens.

Bloody Knife